Natal de Arte, Luta e Afeto

        Vivemos em Natal, cidade do sol, das belezas naturais e de um povo hospitaleiro. A cidade do Forte dos Reis Magos forjada às margens do Rio Potengi e no seu encontro com o mar. Entre vilas de pescadores que se espalharam entre as dunas, nossa cidade cresceu e se fez território. Terreiro de uma cultura feita por muitas pessoas oriundas de vários lugares que ocuparam esse espaço geográfico e moldaram os nossos hábitos, costumes e saberes.

          Aqui aconteceu  o Levante Comunista  de 35,  vivemos o governo de  Djalma Maranhão com seus projetos populares - com destaque para o Projeto de Alfabetização “De Pé no Chão se Aprende a Ler” - e nasceu o maior folclorista do País, que mesmo em meio as suas contradições políticas, nos deixou um legado cultural vasto.

Somos Potiguares, comedores de camarão, conhecidos pelo mesmo nome da etnia indígena nativa de nosso território e devemos nos orgulhar dessa alcunha. Temos uma IDENTIDADE forte e marcante, nossa cultura se manifesta a partir dos hábitos dos homens e mulheres do sertão, dos americanos, dos índios potiguaras e dos escravos africanos que chegaram ao nosso estado.

              Ao longo do último século, nossa cidade tomou forma, se espalhou nas quatro zonas de seu território, a partir de sua formação identitária se fez em COMUNIDADES, cada uma com seus hábitos e características, forjadas a partir de uma economia baseada no comércio, na pesca, no turismo e na indústria. Assim, Natal se fez como cidade, como capital, cresceu e se desenvolveu por ofício da CLASSE trabalhadora.

             É preciso olhar para nosso povo por meio de sua história, a partir da história de mulheres e homens que derramaram suor e sangue para que as paredes de nosso patrimônio fossem levantadas. Foi a classe trabalhadora que se espalhou em comunidades e que fez a identidade de nosso povo. Qualquer tentativa de “elitizar” a nossa história está fadada ao fracasso. É para essa Natal que devemos direcionar o nosso olhar e a nossa luta!

             É sintomático que aqueles que no passado expulsaram as vilas de pescadores da beira da praia para construir suas casas de veraneio queiram agora liberar as construções de espigões à beira-mar, retirando do povo trabalhador e das comunidades o direito ao vento, à paisagem e à natureza. Querem nos retirar o direito básico de termos uma cidade com acessibilidade, meio ambiente, saneamento básico, educação, cultura, lazer e cidadania em prol do capital e da especulação imobiliária. Querem entregar nossos cartões postais a uma elite que há muitos anos dá as costas para o seu povo e para os problemas de suas comunidades. Por isso, precisamos colocar Natal nas mãos de quem verdadeiramente constrói a nossa cidade.

              Apresentamos à sociedade natalense o ator e professor Rodrigo Bico como pré-candidato a vereador desta cidade. Bico traz em seu nome a formação popular no pátio das escolas públicas onde estudou a vida toda, traz a irreverência e o humor inerente ao brincante popular, traz as cores e a poesia de um povo solar, traz a força e a resistência dos seus antepassados indígenas, traz a vivência comunitária do Monte do Sol e a coletividade do teatro de grupo, a força da classe trabalhadora que o gerou e que o faz sujeito de lutas, de arte e de encantamento. Com Bico, poderemos reencantar a política, levar a poesia às tribunas burocráticas e romper com os paradigmas e os conservadorismos de uma sociedade manipulada por notícias falsas e motivada por um ódio estúpido.

         A história de Rodrigo Bico é a história do povo natalense,  foi construída em sua  COMUNIDADE, e, através da arte, constrói a IDENTIDADE de seu povo. Bico é artista e sabe o que é a luta de classes, sente na pele diariamente a dureza de seu povo, porque também é filho da CLASSE trabalhadora composta por aqueles e aquelas que verdadeiramente fazem esta cidade pulsar. Foi na arte que aprendeu que os direitos humanos devem vir muito antes da violação, que ódio se combate com enfrentamento e que a luta política popular pode ser menos dura e muito mais colorida, sem precisar largar mão de ser firme na defesa dos direitos de trabalhadores e trabalhadoras, pois o amor nos move e arte nos liberta.

             É com esse espírito de coletividade, de resistência, de luta e de poesia que apresentamos um projeto que visa a disputa por uma sociedade mais justa, igual para todos e todas, inclusiva, contra todas as formas de intolerância, que respeite a diversidade sexual e de gênero, religiosa e geracional, antimachista, antiracista e antifascista. Uma cidade das pessoas com deficiência, de negros e negras, mulheres, LGBTQIA+, jovens, idosos, artistas, professores e professoras, de um povo que se olhe, olho no olho, e se identifique como um povo que luta, que respeita, que convive em harmonia e que acredita que arte e educação são as melhores armas para construirmos um território de paz, igualdade e resistência.

O amor nos move, a arte nos liberta!